sábado, 22 de março de 2008

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome...


E se me achar esquisita,respeite também.Até eu fui obrigada a me respeitar.


Minha força está na solidão...Não tenho medo nem das chuvas tempestivas,

nem das grandes ventanias soltas,pois eu também sou o escuro da noite.

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.


"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que voce nao conhece como eu mergulhei. Nao se preocupe em 'entender'. Viver ultrapassa todo entendimento"

O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?

...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.

Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão...

E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço...

Por Clarice Lispector